Quando ingressei no curso de cinema e vídeo , para mim era como se os filmes viessem de um espaço mítico e inalcançável. Assisti-los me proporcionava prazer, ao mesmo tempo em que eu me ressentia com a sensação de que nunca teria os meios de produzir obras como as que eu admirava. Para mim, o cinema era uma caixa preta. Como em O Pequeno Príncipe, um dos inúmeros filmes que assisti quando criança. No filme, dentro da caixinha que ele desenha no papel, podem existir muitos universos. Mas não se podia olhar pelo buraco. Na tela de cinema, mundos passam à nossa frente como num grande panorama, mas, se vamos até ela, somos surpreendidos em nossa ilusão – só encontramos luz e sombras sobre o tecido.

Nesses quatro anos, estudei a caixa preta do cinema. Medi sua largura e profundidade, calculei seu volume, tateei suas bordas e rachaduras. Olhei pelo buraco da caixa, e o que vi me deixou mais confuso. Vi uma criança, que me olhava de volta. Ela tinha uma câmera de brinquedo, e estava feliz.

%d blogueiros gostam disto: